Divulga e inseri nos anais da Casa o artigo do jornalista Paulo Roberto Sampaio (Tribuna da Bahia) intitulado "A Lei do Silêncio".
Data: 09/03/2010
O Sr. PRESIDENTE (Álvaro Gomes):- Com a palavra o deputado Sandro Régis
pelo tempo de até 5 min.
O Sr. SANDRO RÉGIS:- Sr. Presidente, gostaria que V.Exª inserisse nos anais
desta Casa esta nota que vou ler aqui do jornalista Paulo Roberto da Tribuna da Bahia.
Deputado Heraldo Rocha, Tribuna da Bahia , 09/03/2010. Paulo Roberto Sampaio, "A Lei do
Silêncio".
(Lê):- "Existem formas e formas de exercer o poder. Uma delas é impondo o
silêncio. Bandidos, traficantes e outros párias da sociedade costumam recorrer a este
nefasto instrumento nas comunidades onde fixam seus tentáculos, mesmo quando matam,
violentam ou seviciam inimigos ou cidadãos comuns.
Existe também a lei do silêncio imposta pelo Estado quando este, do alto do poder
que lhe foi conferido pela sociedade ou dela o usurpou, resolve exercê-lo sem se julgar na
obrigação de prestar contas a esta mesma sociedade, abrigando-se nos mais variados
motivos ou justificativas.
A polícia baiana, eficientíssima quando chamada a bisbilhotar a vida alheia
através de escutas telefônicas e recursos tais, tem se mostrado titubeante no trabalho
investigativo e na solução de alguns tenebrosos casos. O mais recente exemplo é o da morte
da economista Ananda Lima Barreto Assunção. Uma semana após sua trágica e cruel morte,
quando se encaminhava para casa para cuidar do filho de pouco mais de um ano que
padecia enfermo, a polícia mantém-se escudada na lei do silêncio para impedir que vazem
"informações valiosas". Amordaça a todos que puderem de alguma forma fornecer uma
informação sobre o que se faz ou o que se apurou até aqui, como se este fosse o único
caminho para a elucidação do bárbaro crime.
Que não pense que o silêncio será sinônimo do esquecimento, ao menos para nos
dar para nós da Tribuna."
Da Bahia.
(Lê):- " O caso do líder comunitário Nativo seguiu por caminho muito parecido
até cair no tráfico valão dos crimes insolúveis, como está até hoje o do professor
universitário morto no seu apartamento e o do jornalista Jorge Pedra, assassinado num
motel no centro da cidade. E o caso Neylton, que parece ter alguns traços de semelhança
com o do jovem bancária morta, só caminhou alguns passos pela pressão exercida pela
imprensa e, em particular, por esta folha.
Que fique bem claro: a polícia deve satisfações à sociedade sim e nós não nos
calaremos até ver este crime solucionado.
A lei do silêncio não nos amordaçará."
Quero aqui, Sr. Presidente, parabenizar o jornalista Paulo Roberto Sampaio por
esta nota hoje divulgada na Tribuna da Bahia, terça-feira, dia 09/03. Paulo Roberto Sampaio
explicita, deputado Capitão Tadeu, a realidade da Polícia Baiana. A Polícia Baiana é muito eficaz no outdoor, na propaganda, nas ações políticas, mas a Polícia Baiana deve ser pela
orientação do governo, nas questões essenciais, para dar uma segurança à sociedade baiana,
até hoje não sabemos, efetivamente, quais foram essas ações, agora, no outdoor é uma polícia
de primeiro mundo.
Quero aqui, para concluir, Sr. Presidente, parabenizar o jornalista Paulo Roberto
Sampaio pela coragem em escrever esta nota que é a pura realidade de como funciona, hoje,
a polícia da Bahia.
Muito obrigado, Sr. Presidente.
(Não foi revisto pelo orador.)