Data: 23/04/2010
Por SIDNEI MATOS
Sete pessoas foram baleadas na noite da última terça-feira, na Rua 6 de Janeiro (Uruguai), depois que cerca de dez homens armados e encapuzados chegaram atirando no local.
Quatro vítimas são da mesma família. Dentre elas, está o sargento PM José Roque Oliveira de Jesus, de 52 anos, que contou ter sido alvejado na perna enquanto bebia a alguns metros de casa.
O policial foi encaminhado ao Hospital da Cidade, mas já teve alta. Embora já tenha sofrido dois atentados (há dois e há três anos atrás), como o próprio afirmou, ele não soube dizer se era o alvo desta vez. O sargento não confirmou ser dono do bar onde as pessoas foram baleadas.
Há 28 anos na polícia e lotado na 37ª CIPM (Liberdade), as tentativas de assassinato teriam começado, segundo José Roque, depois de ter participado de uma diligência de combate a assalto da Fininvest, na Avenida Lima e Silva, Liberdade. "De lá pra cá não tive mais sossego. Já vieram até na minha casa e não me encontraram. Pedi proteção a minha companhia, que me deu total apoio", contou.
O policial informou ainda que iria aguardar a intimação da 3ª DP (Bonfim) para prestar depoimento e que não tem arma por falta de dinheiro.
"Eu já ando assustado, mas não posso me acovardar porque sou um PM. Quem tem que ter medo são eles", afirmou o sargento.
Das outras seis vítimas, apenas Josevaldo Oliveira de Jesus, 32, sobrinho dele, permanece ainda internado, mas fora de risco de morte. Com uma bala alojada no abdômen, ele deve passar por cirurgia no Hospital Ernesto Simões (Pau Miúdo).
Traficantes Conforme contou uma testemunha, que preferiu não se identificar, tudo aconteceu por volta das 20h30. Dois carros fecharam uma extremidade da rua, onde pessoas bebiam em frente a um bar, e um outro veículo - um Fiat Pálio de cor azul - parou na outra ponta, próximo ao local onde estava o PM. De ambos os lados, os homens chegaram atirando.
Duas mulheres foram feridas: Maria Cristina dos Santos, 39, que é cunhada do sargento e se disse dona do bar onde pessoas foram atingidas, e Daiane Caroline de Oliveira, 27. "Foi de surpresa, quando vi foi só os fogos. Eu tô aqui abalada com isso", contou Maria Cristina.
Foram alvejados ainda Hugo Oliveira de Jesus, 30, Jeferson Nascimento Procópio, 32, e Alan Carlos Alcântara Santos, 20. A titular interina da 3ª DP, delegada Marilda Marcela da Luz, não adiantou se as vítimas têm passagem pela polícia ou relação com o tráfico de drogas no local.
Testemunha que não quis revelar o nome identificou os homens encapuzados como traficantes que estão atuando no fim de linha do Uruguai, três deles apelidados de Aguru, Pacote e Gago. Este último seria o responsável pela morte de um vendedor de frutas numa área próxima ao módulo policial do bairro.
Fonte: Jornal Atarde