Data: 28/05/2010
Por Silvana Blesa
A despedida ao delegado Clayton Leão Chaves, 35 anos, que era titular da 18ª Delegacia, em Camaçari, foi marcada pela comoção e por protestos. Durante o enterro, que aconteceu na manhã de ontem, no Cemitério do Campo Santo, na Federação, a esposa do policial, a dentista Simone Chagas, que inclusive presenciou a execução, estava desolada. Sua frase, após o crime, chocou o país e era dita ontem, por muitos que testemunharam sua dor: "meu Deus do céu!".
A viúva, mãe de duas crianças, uma delas, menor de um ano, gritava que seu esposo estava morto. A mãe do delegado, Terezinha, precisou ser amparada por amigos e parentes.
A caminho do local do sepultamento, regidos a acordes de um violino, alguns dos presentes buscavam alento na oração. Outros, indignados com o brutal assassinato, ainda que comovidos, encontravam força na ânsia de justiça e davam o tom da revolta.
O corpo de Clayton foi carregado pelos agentes do Centro de Operações Especiais (COE), o qual integrou durante quatro anos, como coordenador do Grupo de Repressão a Roubo a Estabelecimento Financeiro (GRREF). Fotos de familiares foram colocadas sobre o corpo. Colegas discursaram, em meio à lágrimas e poucos parentes encontraram forças para definir em palavras a dor sentida.
"A polícia não pode ser refém de marginal. Clayton foi um guerreiro. Vá em paz meu irmão", disse um colega, enquanto o corpo era sepultado, seguido por uma salva de palmas. Uma irmã do delegado, amparada por amigos, não se conformava com a trágica cena e, ao repetir que o irmão não estava morto, disse que não iria permitir que ele ficasse ali.
O tio do delegado, João Chaves, contou o dilema vivido pela família, já que a realização do sonho de Clayton trazia consigo alguns riscos. Ele disse que pediu para o sobrinho não se expor na mídia, para sua imagem não ficar marcada. Além disso, aconselhou o policial a também não sair do COE. "Mas ele sonhava com o trabalho como delegado. Agora tememos pela segurança da mulher dele e dos filhos, com idade de um e cinco anos", revelou o tio.
Reação após o crime
Outros policiais, indignados com a perda, diziam enfaticamente, que não podiam deixar bandidos dominarem a sociedade e atentarem contra a polícia. "Vamos mostrar aos marginais que aqui na Bahia existe polícia. Não vamos permitir que mais vidas sejam destruídas. Não podemos nos encontrar de enterro em enterro. Mataram um grande homem que defendia a sociedade com uma brilhante atuação. É preciso que o trabalho dos policiais seja repensado. Corremos riscos no combate ao tráfico de drogas. Até quando vamos permitir tamanha ousadia. Estamos com o coração sangrando, pois perdemos um bom delegado", disse um dos policiais.
O delegado geral da Polícia Civil, Joselito Bispo, também esteve presente no sepultamento e destacou o profissionalismo que Clayton vinha demonstrando à frente da 18ª Delegacia. "Ele era um delegado exemplar. E sabendo de todas as suas qualidades, que o designei como titular daquela unidade. Infelizmente, a polícia perdeu um bom profissional e todos nós estamos muito abalados com o crime", afirmou. Bispo classificou o crime foi uma fatalidade. "O colega teve a infelicidade de parar em um lugar em que jamais deveria ter parado. Não estava ali um policial, estava um cidadão. Precisamos trabalhar muito e ter consciência que segurança pública não é mais viatura, não é mais polícia, é um conjunto que tem que ser trabalhado como um todo", completou.
INVESTIGAÇÃO - O secretário de Segurança Pública, César Nunes, também esteve presente e se posicionou sobre o ocorrido, exaltando os resultados apresentados pela polícia, após algumas horas de investigação. "É uma perda lamentável. A polícia, assim como os familiares e toda sociedade, está abalada com o crime. Felizmente, conseguimos prender todos os suspeitos e elucidar o crime", concluiu o secretário.
Fonte: Jornal Tribuna da Bahia