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Manhã marcada pela violência com dez homicídios em 15h

Data: 05/06/2010


Por Daniela Pereira

A manhã de ontem foi marcada por violência. Nas primeiras 15 horas de ontem, 10 assassinatos foram registrados pela Central de Telecomunicações das Polícias Civil e Militar (Centel). Os crimes ocorreram em bairros periféricos da capital e em Candeias, Região Metropolitana de Salvador. As vítimas foram mortas a tiros e, em todos os casos, a autoria permanece desconhecida pela polícia.

Por volta das 04h20 de ontem, Silvanildo dos Santos, 28 anos, e Francisco Alves dos Santos Filho, 42 anos, voltavam de um bar na Rua Nova Menino Jesus quando foram abordados por homens armados, que dispararam contra eles. As vítimas foram atingidas em várias partes do corpo, morrendo na hora. Logo após o crime, os autores fugiram do local sem deixar pistas.

Inconsoláveis, parentes de Silvanildo compareceram ao Instituto Médico Legal Nina Rodrigues (IMLNR) para liberação do corpo. "Não sabemos por que aconteceu isso. Ele estava desempregado, mas não tinha problemas com ninguém", afirmou uma irmã, que preferiu não se identificar. A vítima deixou um filho de 2 anos. Até o final da manhã de ontem, parentes de Francisco não tinham comparecido ao IML.

Os outros homicídios registrados pela Centel ocorreram no bairro de Saramandaia, onde Reginaldo Nascimento dos Santos, 21 anos, foi baleado, mas não resistiu aos ferimentos. Por volta das 22 horas, no Lobato, um homem, sem qualquer tipo de identificação, foi morto. Em nenhum dos casos os autores dos crimes foram identificados.

TRÁFICO - Apontado como principal agente motivador, o tráfico de drogas abre espaço para uma série de crimes insolúveis. Das 7 horas às 11 horas de ontem, seis corpos, em diferentes pontos da cidade, foram removidos para o Instituto Médico Legal. As vítimas foram mortas a tiros e a polícia atribui aos crimes ligação com o tráfico de drogas.

Tiago Rocha Pereira, 28 anos, foi encontrado morto na Avenida Afrânio Peixoto, localidade do Boiadeiro, Subúrbio Ferroviário. A vítima estava a bordo de uma moto azul, placa JSO 5900, quando foi abordada pelo assassino. Grávida desesperada ao constatar crime

Familiares de Maurício Santos, de 17 anos, se desesperaram ao reconhecer o corpo do jovem, jogado em um matagal da Via Regional, Fazenda Grande III. A vítima apresentava marcas de tiros na região da cabeça. Ferimentos nos braços e barriga indicavam que o adolescente foi executado em outro local, arrastado e jogado no matagal. A namorada, grávida de três meses, teve que ser amparada ao reconhecer o corpo de Maurício. "Quem fez isso com ele merece ser castigado", afirmou a jovem, identificada apenas como Jaqueline. Uma tia da vítima atribuiu a violência à falta de policiamento no local. Maurício era filho único e não possuía passagens na polícia.

A ausência de perícia do corpo foi justificada, durante a remoção, pela greve da Polícia Civil, que já dura 18 dias.

NOTA - O Departamento de Polícia Técnica (DPT) esclareceu que os peritos Oficiais - Criminais, Médico-Legais e Odonto-Legais -, que são os responsáveis pela realização da perícia, possuem representação sindical própria, e não participam do movimento paredista. "Apenas alguns peritos técnicos vinculados ao Sindicato dos Policiais Civis participam da greve e realizam bloqueio na entrada da Instituição, impossibilitando a saída de algumas equipes para perícia.

O DPT informa que todas as perícias internas - como lesões, necropsias, laboratoriais e criminais - estão sendo realizadas com normalidade e apenas em alguns casos as equipes externas são impedidas de realizarem suas atividades. As perícias que não foram realizadas por conta destes bloqueios são relatadas e encaminhadas à Corregedoria para apuração", informou o DPT. (DP)

Fonte: Jornal Tribuna da Bahia

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