
Data: 18/06/2010
Por ANDREIA SANTANA - A TARDE On Line
Pesquisa recente divulgada pelo Ibmec (Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais) mostra que a Geração Y, formada pelos nascidos entre os anos 80 e 90, espera crescer rápido na carreira e, para isso, se preocupa com a formação superior. Supertecnológicos e usuários avançados de ferramentas que para seus pais ainda são um mistério (MSN, Orkut,Twitter, Facebook, Youtube), os jovens Y focam na educação como meio de ascensão social e se preocupam com a qualidade do ensino no País e estados de origem.
Usando meios digitais - internet e dispositivos móveis (celulares e i-phones) - como veículo principal de informação, essa turma se conecta em rede para melhor acompanhar os candidatos nas eleições.
Boas propostas para a educação é a principal preocupação de estudantes como Lillyam Bezerra, 17, Madson Vinícius Meneses, 17, e James Richard, 19. Os três são calouros do curso de direito da Faculdade Batista Brasileira e vão votar pela primeira vez este ano. A convite de A TARDE, revelaram suas percepções da campanha feita pelos principais candidatos aos palácios do Planalto e de Ondina, no habitat por onde mais transitam: a internet.
"Acompanho a agenda dos meus candidatos e também as propostas que eles trazem para essa campanha", diz Lillyam, a única que já sabe em quem vai votar. A adolescente acredita que a web é a melhor maneira de os candidatos manterem contato com o eleitorado. "É a forma certa para chegar até os jovens, porque a gente passa muito tempo conectado".
Canudo e emprego - A pesquisa do Ibmec, iniciada em 2007, pontua que os jovens Y possuem uma meta comum: todos querem garantir o ensino superior porque acreditam que, com o diploma na mão, entrarão mais facilmente no mercado, principalmente no serviço público.
James Richard, que é filho de educadora e mantém um blog, confirma a tendência.
"Educação é muito importante, porque o jovem se preocupa com o seu futuro. Existe uma 'febre de faculdade' e quem fala de qualidade de ensino nos cativa mais", enfatiza James.
Propostas para a área de Educação, mas aliada à questão da segurança pública, é a principal motivação de Madson Vinicius para monitorar os candidatos a cargos eleitivos na rede. O adolescente ainda está indeciso, mas foca nos candidatos que apresentam propostas para todos os segmentos da sociedade.
"Educação e combate à violência na escola, acredito que os programas precisam abranger esses temas e mostrar ações concretas,porque a gente tem medo de sair de casa e nas escolas acontece a venda de drogas abertamente", opina.
Eleitor 3.0 exige interatividade, diz especialista
Os jovens da Geração Y são chamados pela advogada e especialista em Direito Digital, Patricia Peck Pinheiro de eleitores 3.0. "O eleitor 3.0 é aquele para quem a internet é o primeiro canal de informação, que quer sempre saber mais, que exige interatividade", conceitua.
Patricia Peck é coautora, ao lado do também advogado Leandro Bissoli, do áudio livro Eleições Digitais (Editora Saraiva), coletânea com duração de 80 minutos que reúne as mudanças a partir da Lei nº 12.034/2009 e orienta tanto candidatos quanto eleitores sobre o uso da internet nas campanhas deste ano.
A especialista alerta que comunicação eficiente na rede mundial de computadores tem de ser multidimensional, mas não pode ser massificada.
"A comunicação na internet não é unilateral. O candidato não pode escrever apenas sobre si mesmo e usar o meio como acessório para expor a própria identidade e a da sua campanha. O público de internet quer manifestar opinião própria, discutir e colaborar", adverte Estratégias Transpor as estratégias pensadas para outras mídias, como rádio e TV, também não funciona na rede. "A comunicação de massa é feita pelos outros meios, na internet, ela é setorizada e segmentada, tem muitos focos de acordo com os diversos perfis e interesses comuns dos usuários".
Como exemplo, ela cita a campanha de Barack Obama para a presidência dos Estados Unidos, em 2008. "Obama montou vários perfis no Facebook, um para cada grupo de eleitor que ele queria atingir [na campanha]".
A advogada Patrícia Peck adverte ainda contra atitudes antipáticas, como manter fechados os espaços de comentários em um blog. "O candidato que monta uma estratégia de campanha na internet precisa estar disposto a ouvir tanto quanto falar. A geração Y se sente dona da internet, é muito crítica".
Fonte: Jornal Atarde